Revista CEFAC
https://www.revistacefac.org.br/article/doi/10.1590/1982-0216/200574p0459
Revista CEFAC
Artigo

Diferença antropométrica entre mulheres brancas e negras após o período de crescimento puberal

Anthropometric difference between white and black women after puberal growth

Fabiana Medeiros Parro; Márcia Regina de Toledo; Ivone Carmen Dias Gomes; Irene Queiroz Marchesan

Downloads: 0
Views: 153

Resumo

Objetivo: avaliar as medidas antropométricas faciais entre mulheres brancas e negras após o período de crescimento puberal e verificar possíveis diferenças significantes entre as medidas raciais.

Métodos: foram avaliados 109 sujeitos do gênero feminino sendo 52 brancos e 57 negros, na faixa etária entre 20 e 30 anos. Os critérios de seleção dos sujeitos para inclusão neste estudo foram: a) histórico fonoaudiológico negativo – inexistência de queixa fonoaudiológica em motricidade oral, e/ou histórico de tratamento fonoaudiológico prévio e/ou atual. b) dentição permanente completa. c) inexistência de tratamento ortodôntico atual. Os sujeitos da pesquisa foram divididos entre brancos e negros, sendo que o critério de seleção para ambas as raças foi a cor da pele. Na raça negra, outro fator levado em consideração foi o fato dos indivíduos terem que ser filhos de mães e/ou pais negros. Na raça branca, ambos os genitores deveriam também ser da raça branca. Os materiais utilizados foram: protocolo para coleta de dados, luvas cirúrgica, algodão e álcool etílico, detergente e paquímetro eletrônico digital marca Vonder com medida 150mm-6" e leitura de 0,01mm – 0,005". Na primeira etapa foi solicitado que os sujeitos respondessem a um questionário onde foram coletados dados de identificação do sujeito, incluindo a raça, no qual se auto-definiram como brancos ou negros e presença de queixa(s) fonoaudiológica(s) e/ou realização de tratamento fonoaudiológico em motricidade oral e/ou ortodôntico atual e/ou prévio. Na segunda etapa foi efetuada a coleta das medidas antropométricas faciais com paquímetro especificado. As medidas antropométricas faciais foram coletadas na visão frontal sem pressionar as pontas do paquímetro contra a superfície da pele. Foram, então, transcritas em milímetros para o protocolo de registro de dados. Os pontos faciais mensurados foram: altura do terço superior da face (do trichion a glabela ou tr-g); altura do terço médio da face (da glabela ao subnasal ou g-sn); altura do terço inferior da face (do subnasal ao gnatio ou sn-gn); altura do lábio superior (do subnasal ao estômio ou sn-sto); altura do lábio inferior (do estômio ao gnatio ou sto-gn); altura do filtro (do subnasal ao lábio superior ou sn-ls); distância entre o canto externo do olho e o cheilion do lado direito da face (ex-ch); e a distância entre o canto externo do olho e o cheilion do lado esquerdo da face (ex-ch). Para estabelecer os padrões de normalidade entre as duas raças foi utilizado o intervalo de confiança para a normalidade. Para detectar possíveis diferenças estatisticamente significantes entre as raças brancas e negras foi utilizado o Teste t de Student, considerando-se o nível de significância menor que 5% (p< 0,05).

Resultados: no grupo T1 (brancas), a média do terço superior (tr-g) (56,70 mm) e do terço médio da face (g-sn) (56,05 mm) apresentaram valores próximos, verificando-se maior valor na média da altura do terço inferior da face (sn – gn) (59,56 mm). A média da altura do lábio superior (sn-sto) foi 18,81 mm, sendo que a média da altura do lábio inferior (sn-gn) foi de 39,44 mm. A média da altura do filtro (sn-ls) foi de 14,75 mm. Em relação às médias das distâncias entre o canto externo do olho e o cheilion no lado direito e no lado esquerdo da face (ex-ch), os valores também foram próximos (66,16mm e 65,18 mm respectivamente). Quanto aos dados do grupo T2 (negras), nota-se que a média do terço superior da face (tr-g) foi de 59,88mm, o terço médio da face (g-sn) foi de 58,31mm e o terço inferior da face (sn-gn) apresentou maior média, de 64,90mm. A média da altura do lábio superior (sn-sto) foi de 20,69mm, sendo que a média da altura do lábio inferior (sn-gn) foi de 42,26mm. A média da altura do filtro (sn-ls) foi de 14,98mm. As médias das distâncias entre o canto externo do olho e o cheilion no lado direito e no lado esquerdo da face (ex-ch) também apresentaram valores próximos (68,54mm e 67,83mm respectivamente). No que se refere aos dados comparativos das medidas antropométricas faciais, entre brancos e negros, não existem semelhanças estatisticamente significantes entre as médias do terço superior (tr-g) das duas raças (p = 0,053), porém pode-se observar que na raça negra ocorreu uma tendência do terço superior apresentar valor médio maior do que na raça branca. Encontrou-se diferença estatisticamente significante entre brancos e negros no terço médio (g-sn) e no terço inferior da face (sn-gn) (p = 0,029 e p < 0,001, respectivamente). No lábio superior (sn-sto) e inferior (sto-gn) obtivemos diferença estatisticamente significante entre as médias, sendo que a diferença do lábio inferior foi considerada mais significante (p = 0,001 e p < 0,001, respectivamente). Para o filtro a média encontrada foi extremamente semelhante (p = 0,596). No que se refere aos lados da face, foi encontrada diferença estatisticamente significante (p = 0,002) entre as raças, tanto no lado direito da face (ex-ch) quanto no lado esquerdo da face (ex- ch) (p< 0,0001).

Conclusão: as medidas de altura do filtro e do terço superior foram semelhantes entre as duas raças, ocorrendo nesta segunda uma tendência para maior valor na raça negra. Terço médio e inferior da face, canto externo do olho e o cheilion (neste, sendo o lado direito maior que o lado esquerdo), lábio superior e inferior mostraram medidas maiores na raça negra. Houve diferença estatística comparativamente com medidas maiores para a raça negra no terço médio e inferior da face, no lábio superior e inferior, lados direito e esquerdo da face.

Palavras-chave

Antropometria; Face; Sistema Estomatognático; Ossos Faciais; Desenvolvimento Musculosquelético

Abstract

Purpose: to evaluate anthropometrical facial measures in black and white ethnic groups after the pubertal growth period and verify the possible relevant association among them.

Methods: 109 subjects, where 52 belong to the white ethnic group and 57 to the black ethnic group, with age between 20 and 30 years, with no history of any speech pathology disorders in orofacial myology and/or any current orthodontic treatment. A Vonder digital sliding caliper with 150mm-6" measure and 0.01mm-0.005" reading was used. Readings were obtained from the upper lip, lower lip, philtrum, upper face, middle face, lower face and the distance between the exocanthion and the cheilion, on both sides of the face in the two ethnic groups; and test t Student was applied.

Results: no significant differences were found among the measures obtained as for height of philtrum and upper face, however, significant differences were found in the others anthropometrical measures among the ethnic groups.

Conclusion: heights of philtrum and upper face measures were similar between the two ethnic groups, tending to be higher in the black ethnic group. Middle and lower face, exocanthion and cheilion (in the last, right side being higher than the left side). Upper lip and lower lip measured higher in the black ethnic group.

Keywords

Anthropometry; Face; Stomatognathic System; Facial Bones; Musculoskeletal Development

Referências

1. Junqueira P. Avaliação miofuncional. In Marchesan IQ. Fundamentos em fonoaudiologia: aspectos clínicos da motricidade oral. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 1998. p. 13-21.

2. Marchesan IQ, Krakauer LR. The importance of respiratory activity in myofunctional therapy. Int J Orofacial Myology 1996; 22:23-7.

3. Farkas LG. Examination. In Farkas LG, editor. Antropometry of the head and face, 2. ed. New York: Raven Press; 1994. p. 3-56.

4. Ward RE, Jamison PL, Farkas LG. Craniofacial variability index: a simple measure of normal and abnormal variation in the head and face. Am J Med Genet 1998; 80(3):232-40.

5. Allanson JE. Objective techniques for craniofacial assessment: what are the choices? Am J Med Genet 1997; 70(1):1-5.

6. Ward RE, Jamison PL, Allanson JE. Quantitative approach to identifying abnormal variation in human face exemplified by study of 278 individuals with five craniofacial syndromes. Am J Med Genet 2000; 91(1):8-17.

7. Allanson JE, O'Hara P, Farkas LG, Nair RC. Anthropometric craniofacial pattern profiles in Down syndrome. Am J Med Genet 1993; 47(5):748-52.

8. Gregoret J, Turber E, Fonseca AM, Escobar LH. Ortodontia e cirurgia ortognática: diagnóstico e planejamento. São Paulo: Santos; 1999.

9. Marchesan IQ. The speech pathology treatment with alterations of the stomatognathic system. Int J Orofacial Myology 2000; 26:5-12.

10. Bacha SM, Rispoli CF. Myofunctional therapy: brief intervention. Int J Orofacial Myology 1999; 25:37-47.

11. Drummond R. A determination of cephalometric norms for the Negro race. Am J Orthod 1968; 54(9):670-82.

12. Richardson ER. Racial differences in dimensional traits of the human face. Angle Orthod 1980; 50(4):301-11.

13. Bianchini EMG, Parolo AMF. Pacientes portadores de respiração bucal: uma abordagem fonoaudiológica. Rev Dental Press Ortod Ortop Facial 2000; 5(2):76-81.

14. Di Francisco RC. Respirador bucal: a visão do otorrinolaringologista. J Bras Fonoaudiol 1999; 1(1):56-60.

15. Rahal A, Krakauer LH. Avaliação e terapia com respiradores bucais. Rev Dental Press Ortod

16. Sleiman DAV. Atuação fonoaudiológica nas alterações miofuncionais orais em indivíduos com maloclusão classe II. J Bras Fonoaudiol 1999; 1(1):76-82

17. Weckx LLM, Weckx LY. Respirador bucal: causas e consequências. In: Anais da Jornada de Otorrinolaringologia; 2º Jornada de Fonoaudiologia; 1998. Ribeirão Preto; 1998, p. 45-55.

18. Marchesan IQ. Adapted or atypical thrusting? Int J Orofacial Myology 1999; 25:15-7.

19. Cattoni DM, Fernandes FDM, Marchesan IQ, Latorre MRDO. Medidas antropométricas faciais em crianças segundo períodos da dentição mista. Rev CEFAC 2003; 5(1):21-9.

20. Gomes ICD, Proença MG, Limongi SCO. Avaliação e terapia da motricidade oral. In: Ferreira LP, Barros M C P P , Gomes ICD. Temas de Fonoaudiologia. 5. ed. São Paulo: Loyola; 1993. p. 61-119.

21. Suguino R, Ramos AL, Terada HH, Furquim LZ, Maeda L, Silvia Filho OG. Análise facial. Rev Dental Press Ortod Ortop Maxilar 1996; 1(1):86-107.

22. Farkas LG, Hreczko TM, Katic MJ. Craniofacial norms in north american caucasians from birth (one year) to young adulthood. In: Farks LG, editor. Anthropometry of the head and face. 2. ed. New York: Raven Press; 1994. p. 241-336.

23. Ferrario VF, Sforza C, Poggio CE, Tartaglia G. Distance from symmetry: a three-dimensional evaluation of facial asymmetry. J Oral Maxillofac Surg 1994; 52(11):1126-32.


Submetido em:
25/05/2005

Aceito em:
28/10/2005

6a5f9710a953955b7e12ac55 cefac Articles
Links & Downloads

Revista CEFAC

Share this page
Page Sections