Revista CEFAC
https://www.revistacefac.org.br/article/doi/10.1590/1982-0216201415813
Revista CEFAC
Artigos Originais

Identification of language disorders in the school setting

Identificação dos distúrbios da linguagem na escola

Lorene Karoline Silva; Ludimila Labanca; Eglea Maria da Cunha Melo; Letícia Pimenta Costa-Guarisco

Downloads: 0
Views: 302

Abstract

Purpose: to assess whether early education teachers are able to identify children with language development impairments.

Methods: the present comparative cross-sectional observational study was conducted in underserved early childhood education schools. The study sample comprised 14 teachers and 91 schoolchildren in the age range of 2 years to 4 years, 11 months who were regularly enrolled in the selected schools. The teachers completed a questionnaire concerning the children's development status, and a speech-language evaluation was conducted with all children. The level of agreement between the speech-language assessment and that conducted by the teachers was measured using Kappa coefficient; sensitivity and specificity were calculated considering the speech-language evaluation as the gold standard.

Results: the speech-language evaluation showed that language development was impaired thus: 22% of the children had impaired reception; 34.1% showed emission impairment; 35.2%, cognitive deficits, and 6.6% had motor deficits. Slight agreement was found between the speech-language evaluation and that performed by the teachers. The sensitivity of the teachers' assessment ranged between 0.3-0.4 while specificity ranged between 0.6-0.9.

Conclusion: the teachers had difficulties in identifying the children at risk for language disorders.

Keywords

Language Development; Child Language; Child Rearing; Speech, Language and Hearing Sciences

Resumo

Objetivo: verificar se os educadores infantis são capazes de identificar as crianças com alteração no desenvolvimento de linguagem.

Métodos: tratou-se de um estudo observacional transversal comparativo realizado em escolas carentes de educação infantil. A amostra do estudo foi composta por 14 educadores e 91 alunos regularmente matriculados nas instituições de ensino selecionadas, nas faixas etárias de dois a quatro anos e 11 meses. Os educadores responderam um questionário sobre o desenvolvimento das crianças e aplicou-se a avaliação fonoaudiológica em todas elas. Realizou-se análise da concordância entre a avaliação fonoaudiológica e a do educador por meio do coeficiente Kappa e cálculos de sensibilidade e especificidade, considerando a avaliação fonoaudiológica como referência.

Resultados: segundo avaliação fonoaudiológica, o desenvolvimento da linguagem das crianças estava comprometido da seguinte forma: 22% possuíam alteração na recepção, 34,1% na emissão, 35,2% nos aspectos cognitivos e 6,6% nos aspectos motores. Identificou-se baixa concordância entre a avaliação fonoaudiológica e do educador. A avaliação do educador teve sensibilidade que variou entre 0,3 e 0,4 e especificidade que variou entre 0,6 e 0,9.

Conclusão: os educadores apresentaram dificuldades em identificar as crianças com riscos para alterações de linguagem.

Palavras-chave

Desenvolvimento da Linguagem; Linguagem Infantil; Educação Infantil; Fonoaudiologia

Referências

1. Messias Santos GC. Dos neurônios a cognição. Avanços sobre a neurociência da Linguagem. In: Cesar AM, Maskud SS. Fundamento e Práticas em Fonoaudiologia. Rio de Janeiro: Revinter, 2009, p.1-13.

2. Guerra GR, Alavarsi E, Sacoloski. Fonoaudiólogo e Professor: Uma Parceria Fundamental. In: Sacaloski M, Alavarsi G, Guerra GR. Fonoaudiologia na Escola. São Paulo: Lovise, 2000, p. 27-34.

3. Schirmer CR, Fontoura DR, Nunes ML. Distúrbios da aquisição da linguagem e da aprendizagem. J. Pediatr. 2004;80(2):95-103.

4. Chiari BM, Basilio CS, Nakagawa EA, Cormedi MA, Silva NSM, Cardoso RM et al. Proposta de Sistematização de dados da avaliação fonoaudiológica através da observação de comportamentos de crianças de 0 a 6 anos. Pró-Fono R Atual Cient. 1991;3(2):29-36.

5. Airmard P. O surgimento da linguagem na criança. Trad. Claudia Schilling. Porto Alegre: ArtMed, 1998, p. 55-103.

6. Zorzi JL. Aspectos básicos para compreensão, diagnóstico e prevenção dos distúrbios de linguagem na Infância. Rev CEFAC. 2000;2(1):11-5.

7. Silveira PCM, Cunha DA, Fontes ML, Lima AEB, Farias PS, Lucena JA. A importância da prevenção à gagueira nas escolas. Fono Atual. 2002;5(22):12-27.

8. Mendonça JE, Lemos SMA. Promoção da saúde e ações fonoaudiológicas em educação infantil. Rev CEFAC. 2011;13(6):1017-30.

9. Carlino FC, Denari FE, Costa MPR. Programa de orientação fonoaudiológica para professores da educação infantil. Distúrb Comum. 2011;23(1):15-23.

10. Simões JM, Assencio-Ferreira VJ. Avaliação de aspectos da intervenção fonoaudiológica junto a um sistema educacional. Rev CEFAC. 2002;4(1):97-104.

11. Zorzi JL. Possibilidades de trabalho do fonoaudiólogo no âmbito escolar-educacional. J Cons Fed Fonoaudiol. 1999;4(2):211-7.

12. Santos LM, Friche AAL, Lemos SMA. Conhecimento e instrumentalização de professores sobre desenvolvimento de fala: ações de promoção da saúde. Rev CEFAC. 2011;13(4):645-56.

13. Sacaloski M, Alavarsi G, Guerra GR. Fonoaudiólogo e Professor: Uma Parceria Fundamental. In: Sacaloski M, Alavarsi G, Guerra GR. Fonoaudiologia na Escola. São Paulo: Lovise, 2000, p. 19-24.

14. Frankenburg WK, Dodds J, Archer P, Shapiro H, Bresnick B. The Denver II a major revision and restandardization of the Denver Developmental Screening Test. Pediatrics. 1992;89:91-7.

15. Wertzner HF, Shewer I, Befi-Lopes DM. Desenvolvimento da linguagem: uma introdução. In: Fonoaudiologia Informação para Formação, Linguagem: desenvolvimento normal, alterações e distúrbios. Limongi SCO. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003.

16. Landis JR, Koch GG. The measurement of observer agreement for categorical data. Biometrics. 1977;33:159-74.

17. Santos JN, Lemos SMA, Lamounier JA. Estado nutricional e desenvolvimento da linguagem em crianças de uma creche pública. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2010;15(4):566-71.

18. Biscegli TS, Polis LB, Santos LM, Vicentin M. Avaliação do estado nutricional e do desenvolvimento neuropsicomotor em crianças frequentadoras de creche. Rev Paul Pediatr. 2007;25(4):337-42.

19. Basílio CS, Puccini RF, Silva EMK, Pedromônico MRM. Living conditions and receptive vocabulary of children aged two to five years. Rev Saúde Pública J Public Health. 2005;39(5):725-30.

20. Sabatés AL, Mendes LCO. Perfil do crescimento e desenvolvimento de crianças entre 12 e 36 meses de idade que frequentam uma creche municipal da cudade de Guarulhos. Cienc Cuid Saude. 2007;6(2):164-70.

21. Saccani R, Brizola E, Giordani AP, Bach S, Resende TL, Almeida CS. Avaliação do desenvolvimento neuropsicomotor em crianças de um bairro da periferia de Porto Alegre. Scientia Medica. 2007;17(3):130-7.

22. Rezende MA, Beteli VC, Santos JLF. Avaliação de habilidades de linguagem e pessoal sociais pelo Teste de Denver II em instituições de educação infantil. Acta Paul Enferm. 2005;18(1):56-63.

23. Demo P. Escola pública e escola particular: semelhanças de dois imbróglios educacionais. Ensaio: aval. pol. públ. Educ. 2007;15(55):181-206.

24. Pedromônico MRM, Affonso LA, Sanudo A. Vocabulário expressivo de crianças entre 22 e 36 meses: estudo exploratório. Rev Bras Cresc Desen Hum. 2002;12(2):13-20.

25. Hage SRV, Pereira MB. Desempenho de crianças com desenvolvimento típico de linguagem em prova de vocabulário expressivo. Rev CEFAC. 2006;8(4):419-28.

26. Sandri MA, Meneghetti SL, Gomes E. Perfil comunicativo de crianças entre 1 e 3 anos com desenvolvimento normal de linguagem. Rev CEFAC. 2009;11(1):34-41.

27. Maranhão PCS, Pinto SMPC, Pedruzzi CM. Fonoaudiologia e educação infantil: uma parceria necessária. Rev CEFAC. 2009;11(1):59-66.

28. Brasília. Conselho Federal de Fonoaudiologia. Resolução n. 309, de 01 de abril de 2005. Dispõe sobre a atuação do Fonoaudiólogo na educação infantil, ensino fundamental, médio, especial e superior, e dá outras providências. Diário Oficial da União; 2005 abril 01.

29. Zorzi JL. Fonoaudiologia e educação: encontros, desencontros e a busca de uma atuação conjunta. In: Zorzi JL. Aprendizagem e distúrbios da linguagem escrita: questões clínicas e educacionais. Porto Alegre: Artmed; 2003. p. 157-71.


Submetido em:
29/08/2013

Aceito em:
25/02/2014

6a2d9a86a953956636747cce cefac Articles

Revista CEFAC

Share this page
Page Sections