Relation between voice self-assesment and clinic evaluation data in dysphonic individuals
Relação entre autoavaliação vocal e dados da avaliação clínica em indivíduos disfônicos
Ana Paula Dassie Leite; Luciana Branco Carnevale; Heloíza Lima da Rocha; Caroline Amália Pereira; Luiz de Lacerda Filho
Abstract
Purpose: to associate the rates of vocal self-assessment and clinic evaluation data from of dysphonic individuals.
Methods: observational, descriptive and retrospective study. It were studied medical records of patients treated at a school-clinic of Speech Language Patology in the period from 2007 to 2011. Data were presented regarding the vocal self-assessment (voice related quality of life, vocal handicap index and assignment of note regarding the impact vocals), anamnesis (sex, age, occupation, type of abuse, duration of abuse, previous treatment for dysphonia), perceptual evaluation (vocal quality, degree of alteration, pitch, loudness, resonance, articulation and CPFA) and objective data (maximum fonation time and relation between consonants s / z). Data were statistically analyzed.
Results: there was no difference in comparing the scores of voice related quality of life, vocal handicap index with variables related to gender, vocal quality, grade of dysphonia, pitch, resonance, articulation, rhythm of speech and type of dysphonia. Individuals with pneumophonoarticulatory incoordination, who use their voice professionally and who have made previous treatments for dysphonia were the worst rates in the vocal self-assessment. There were no correlations between rates of vocal self-assessment and other continuous variables (age, duration of abuse, maximum phonation time and relation s / z).
Conclusion: the vocal self-assessment is a very subjective impression, and is independent of most of data collected in the clinical evaluation. Being professional voice, already have had other previous treatments for dysphonia, and incoordination pneumophonoarticulatory seem to influence negatively on the individual's self-assessment about the impact of dysphonia in his/her daily life.
Keywords
Resumo
Objetivo: associar os índices de autoavaliação vocal aos dados da avaliação clínica de indivíduos disfônicos.
Métodos: estudo observacional, analítico, retrospectivo. Foram analisados os prontuários de pacientes disfônicos atendidos em uma Clínica-Escola de Fonoaudiologia no período de 2007 a 2011. Foram levantados os dados referentes à autoavaliação vocal (índices de qualidade de vida em voz, desvantagem vocal e atribuição de nota referente ao impacto vocal), à anamnese (sexo, idade, profissão, tipo de queixa, tempo de queixa, tratamentos anteriores para a disfonia), à avaliação perceptivo-auditiva (qualidade vocal, grau de alteração, pitch, loudness, ressonância, articulação e coordenação pneumofonoarticulatória) e aos dados objetivos (tempos máximos fonatórios e relação s/z). Os dados foram tabulados e analisados estatisticamente.
Resultados: não houve diferença na comparação dos escores do protocolo de qualidade de vida em voz e índice de desvantagem vocal com as variáveis referentes a sexo, qualidade vocal, grau de alteração, pitch, ressonância, articulação, velocidade de fala e tipo de disfonia. Indivíduos que utilizam a voz profissionalmente e que já fizeram tratamentos anteriores para a disfonia apresentaram piores índices na autoavaliação vocal. Quanto à avaliação clínica, a incoordenação penumofonoarticulatória foi o único parâmetro que interferiu negativamente na autoavaliação. Não houve correlações entre os índices de autoavaliação vocal e as demais variáveis contínuas (idade, tempo de queixa, tempos máximos fonatórios e relação s/z).
Conclusão: a autoavaliação vocal é uma impressão bastante subjetiva, e independe da maior parte dos dados coletados na avaliação clínica. Ser profissional da voz, já ter buscado outros tratamentos para a disfonia e apresentar incoordenação penumofonoarticulatória parece influenciar negativamente na autoavaliação do indivíduo acerca do impacto do distúrbio vocal em sua vida diária.
Palavras-chave
Referências
1. Grillo MHMM, Penteado RZ. Impacto da voz na qualidade de vida de professores de ensino fundamental. Pró-Fono R Atual Cient. 2005;17(3):321-30.
2. Kasama ST, Brasolotto AG. Percepção vocal e qualidade de vida. Pró-fono. 2007;19(1):19-28.
3. Queija DCS, Ferreira AS, Portas JG, Dedivitis RA, Pfuetzenreiter Junior, E, Barros, APB. Avaliação vocal e autopercepção da desvantagem vocal (VHI) após laringectomia frontolateral. Rev Bras Cir Cabeça e Pescoço. 2007; 36(2):95-9.
4. Krischke S, Weigelt S, Hoppe U, Kollner V, Klotz, M. Quality of life in Dysphonic Patients. Journal do Voice. Philadelphia. 2009;19(1):132-7.
5. Ugolino AC, Oliveira G, Behlau M. Disfonia na percepção do clínico e do paciente. J Soc Bras Fonoaudiol. 2012;24(2):113-8.
6. Gasparini G, Behlau M. Quality of Life: Validation of the Brazilian Version of the Voice-Related Quality of Life (V-RQOL) Measure. J Voice. 2009;23:76-81.
7. Behlau M, Santos LMA, Oliveira G. Cross-cultural adaptation and validation of the voice handicap index into Brazilian Portuguese. J Voice. 2009;25(3): 354-9.
8. Ricarte A, Oliveira G, Behlau M. Validação do protocolo Perfil de Participação e Atividades Vocais no Brasil. CoDAS. 2013;25(3):242-9.
9. Behlau M, OLIVEIRA G, Santos LMA, Ricarte A. Validação no Brasil de protocolos de autoavaliação do impacto de uma disfonia. Pró-Fono R Atual Cient. 2009;21(4):326-32.
10. Moreti FTG.Validação da versão brasileira da Voice Symptom Scale – VoiSS [dissertação] São Paulo (SP): Universidade Federal de São Paulo; 2011.
11. Gampel D, Karsch UM, Picolloto L. Percepção de voz e qualidade de vida em idosos professores e não professores. Cienc. Saude Coletiva. 2010;15(6):2907-16.
12. Madeira FB, Tomita S. Avaliação do Voice Handicap Index em pacientes com perda auditiva neurossensorial bilateral a partir de grau moderado. Braz J Otorhinolaryngol. 2010;76(1):59-70.
13. Spina, AL, Maunsell R, Sandalo K, Gusmão R, Crespo A. Correlação da qualidade de vida e voz com atividade profissional. Rev Bras Otorrinolaringol. 2009;75(2):275-9.
14. Carmo RD, Camargo Z, Nemr NK. Relação entre qualidade de vida e autopercepção da qualidade vocal de pacientes laringectomizados totais: estudo piloto. Rev CEFAC. 2006;8(4):218-28.
15. Jardim R, Barreto SM, Assunção AA. Condições de trabalho, qualidade de vida e disfonia entre docentes. Cad. Saúde Pública. 2007;23(10):2439-61.
16. Putnoki D, Hara F, Oliveira G, Behlau M. Qualidade de vida em voz: o impacto de uma disfonia de acordo com sexo, idade e uso vocal profissional. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2010;15(4):485-90.
17. Morais EPG, Azevedo RR, Chiari BM. Correlação entre voz, autoavaliação vocal e qualidade de vida em voz de professoras. Rev CEFAC. 2012;14(5):892-900.
18. Pernambuco L, Morais Costa EB, Souza Zimmermann T, Sousa Silva AC, Costa da Silva B. Autoavaliação vocal, avaliação perceptivo-auditiva da voz e qualidade de vida em pacientes com suspeita de câncer tireoidiano: existe correlação? Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço. 2013;42(1):8-12.
19. Padovani MMP. Medidas perceptivo-auditivas e acústicas de voz e fala e autoavaliação da comunicação das disartrias. Rev. Soc. Bras. Fonoaudiol. 2011;16(3):375.
20. Gama ACC, Alves ACFT, Cerceau JSB, Teixeira LC. Correlação entre dados perceptivo-auditivos e qualidade de vida em voz de idosas. Pró-Fono R Atual Cient. 2010;21(2):125-30.
21. Hill AB. Principles of Medical Statistics. 9ª Ed. New York: Oxford University Press, 1971.
22. Gomes R, Nascimento E, Araujo F. Por que os homens buscam menos os serviços de saúde do que as mulheres? As explicações de homens com baixa escolaridade e homens com ensino superior. Cad. Saúde Pública. 2007;23(3):565-74.
23. Dassie-Leite AP, Delazeri S, Weber J, Baldissarelli B, Lacerda Filho L. Autoavaliação vocal: relação com o tipo de instrumento utilizado, gênero, faixa etária e profissão em indivíduos sem queixas de voz. CoDAS [no prelo 2012].
24. Tutya AS, Zambon F, Oliveira G, Behlau M. Comparação dos escores dos protocolos QVV, IDV e PPAV em professores Rev. Soc. Bras. Fonoaudiol. 2011;16(3):273-81.
25. Behlau M, Madazio G, Feijó D e Pontes P. Avaliação de voz. In: Behlau M (org.) Voz: o livro do especialista. Vol. I. Rio de Janeiro: Revinter, 2001. P. 85-245.
Submetido em:
21/01/2014
Aceito em:
03/05/2014


