Accent and TV Journalism: Northeastern Media Communicators Representations
Sotaque e Telejornalismo: Representações de Comunicadores de Mídia Nordestinos
Luciana de Menezes Ramos; Zulina Souza de Lira; Antonio Roazzi
Abstract
Purpose: to describe the content of social representations of the northeastern media communicator regarding to its accent.
Methods: data collection was carried out in two steps. At first, the free association was performed, in which 50 university students showed what they thought at the word "accent". In the second, through the Multiple Classifications Procedure (PCM), 25 communicators, who work in the Metropolitan Region of Recife, classified the 15 words most associated by students in two ways, free and guided. In free classification, communicators grouped the words according to criteria set by them, while in directed classification, the words were classified according to the degree of association with the term MY ACCENT. The analysis was carried out by multidimensional statistic methods, which allowed the construction of the Social Representations field's structure.
Results: three defined regions revealed the representation about accent: Concept, Identity and Space. In the first, there are six categories (funny, different, dragged, matuto, prejudice, oxente), in the second, the words are identity, characteristic, language, speech and culture, which are next to the term my accent, and, in the third, region, regionalism, northeast and locality. Identity was the term most related to the term MY ACCENT, whereas the items less related were the ones at the concept region, except for the term oxente.
Conclusion: the northeastern accent is regarded as a mark of the identity and culture from Northeast region. Communicators soften characteristics from northeastern speech during the Professional practice to be adapted to the standard recommended by the labor market without losing their identity.
Keywords
Resumo
Objetivo: descrever o conteúdo das representações sociais do comunicador de mídia nordestino acerca do seu sotaque.
Métodos: a coleta de dados foi realizada em duas etapas. Na primeira, foi empregada a técnica de associação livre, na qual 50 universitários apresentaram o que pensavam diante da palavra "sotaque". Na segunda, por meio do Procedimento de Classificações Múltiplas (PCM), 25 comunicadores atuantes na Região Metropolitana do Recife classificaram as 15 palavras mais associadas pelos estudantes de duas maneiras, classificação livre e dirigida. Na classificação livre, os comunicadores agruparam as palavras segundo critérios por eles estabelecidos, enquanto que na classificação dirigida, as palavras foram classificadas de acordo com o grau de associação com o termo MEU SOTAQUE. A análise foi realizada utilizando-se métodos estatísticos multidimensionais, que permitiram construir a estruturação do campo das Representações Sociais.
Resultados: três regiões delimitadas expressam a representação dos sujeitos sobre sotaque: Conceito, Identidade e Espaço. Na primeira, há seis categorias (engraçado, diferente, arrastado, matuto, preconceito, oxente), na segunda, as palavras são identidade, característica, língua, fala e cultura, próximas ao termo meu sotaque e, na terceira, região, regionalismo, nordeste e localidade. Identidade foi o termo mais relacionado ao termo MEU SOTAQUE, enquanto que os itens menos relacionados são os presentes na região conceito, exceto pelo termo oxente.
Conclusão: o sotaque nordestino é tido como uma marca da identidade e cultura da região Nordeste. Os comunicadores suavizam características do falar nordestino durante o exercício profissional para se adequar ao padrão preconizado pelo mercado de trabalho sem perder a sua identidade.
Palavras-chave
Referências
1. Dubois J, Giacomo M, Guespin L, Marcellesi C, Marcellesi JB, Mevel JP. Dicionário de Linguística. 12 ed. São Paulo: Cultrix; 2011.
2. Crystal D. A Dictionary of Linguistics and Phonetics. Blackwell Publishing, 2011.
3. Floccia C, Delle Luche C, Durrant S, Butler J, Goslin J. Parent or community: Where do 20-month-olds exposed to two accents acquire their representation of words? Cognition. 2012;124(1):95-100.
4. Pelinson F, Mengarda EJ. Comunicação Publicitária e Usos Dialetais: Apelo Mercadológico e Desconstrução do Preconceito Linguístico. In: Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. XII Congresso de Ciências da Comunicação na Região Sul; 26-28 mai 2011. Londrina, Paraná, Brasil. São Paulo: Intercom; 2011.
5. Bezerra CL, Rabay G. Presença do Sotaque Nordestino no Telejornalismo Brasileiro. In: Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. XIV Congresso de Ciências da Comunicação na Região Nordeste. 14-16 jun 2012; Recife-PE. São Paulo: Intercom; 2012.
6. Albuquerque NS. Apoderamento imagético do Nordeste do Brasil: Estereótipo e Discurso nas Artes. Revista ComSertões. 2014;1(2):1-19.
7. Lopes LW, Lima ILO, Silva EG, Almeida LNA, Almeida AAF. Sotaque e telejornalismo: evidências para a prática fonoaudiológica. CoDAS. 2013;25(5):475-81.
8. Lopes LW, Lima ILB, Silva EG, Almeida LNA, Almeida AAF. Preferências dos ouvintes em relação ao sotaque regional em contexto formal e informal de comunicação. Rev CEFAC. 2014;16(3):949-56.
9. Noriega JAV, Carvajal CKR, Grubits S. La Psicología Social y el concepto de cultura. Psicologia & Sociedade. 2009;21(1):100-7.
10. Morigi VJ. Teoria Social e Comunicação: representações sociais, produção de sentidos e construção dos imaginários midiáticos. Compós. 2004;1(1):1-14.
11. Bonomo M, Souza L, Menandro MCS, Trindade ZA. Das categorias aos grupos sociais: representações sociais dos grupos urbano e rural. Psicologia: Ciência e Profissão. 2011;31(4):676-89.
12. Roazzi A, Souza BC, Bilsky W. Facet Theory: Searching for structure in Complex Social, Cultural and Psychological Phenomena. 1° ed. Recife: Editora Universitária – UFPE. 2013.
13. Roazzi A. Categorização, formação de conceitos e processos de construção de mundo: procedimento de classificações múltiplas para o estudo de sistemas conceituais e sua forma de análise através de métodos multidimensionais. Cadernos de Psicologia. 1995;1(1):1-27.
14. Ramos R, Porcello F. Âncora na TV: informação, interpretação e opinião. A discursividade em níveis verbal e não-verbal. Comunicação e Informação. 2006;9(1):62-9.
15. Roazzi A, Federicci FCB, Wilson M. A estrutura primitiva da representação social do medo. Psicol. Reflex Crit. 2001;14(1):57-72.
16. Gomes AR, Santana JS. Retratos do Sertão: As Representações do Sertão nas Telenovelas e suas Implicações Educacionais. RTE. 2013;22(1):130-45.
17. Silva PR, Gava R, Deboçã LP. Manifestações da identidade em processos de alterações locais: o caso do distrito de Lavras Novas, Ouro Preto (MG). CVT. 2014;14(1):49-67.
18. Bergamo A. Reportagem, memória e história no jornalismo brasileiro. Mana. 2011;17(2):233-69.
19. Nunes AVL, Camino L. Atitude político-ideológica e inserção social: fatores psicossociais do preconceito. Psicol Soc. 2011;23(1):135-43.
20. Vieira APA, Gomide APA. Dimensões Psicossociais do Preconceito: Notas Sobre a Felicidade, a Reflexão e a Experiência na Sociedade Atual e Suas Relações com Macabéa. Ling-s. 2011;5(3):302-21.
21. Franco AF. O sotaque no telejornalismo: padrão ou preconceito? In: Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. XV Congresso de Ciências da Comunicação na Região Nordeste. 12-14 jun 2013; Mossoró-RN. São Paulo: Intercom; 2013.
22. Evangelista AF, Almeida TDR. Assim Fala a Notícia: Sotaques e Regionalismos no Telejornalismo Paraibano. In: Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. XVI Congresso de Ciências da Comunicação na Região Nordeste. 15-17 mai 2014; João Pessoa-PB. São Paulo: Intercom; 2014.
23. Moraes FO. O saber camponês nos contos tradicionais do Brasil: a narrativa na educação no campo. Trabalho & Educação. 2012;21(3):303-14.
24. Leite CMB. Estereótipos sociais e suas implicações para os estudos sociolinguísticos. Estudos da Lingua(gem). 2011;9(1):91-104.
25. Freitas LFR. A Construção de Identidades Regionais a partir de Obras de Literatura Infantil. Nonada, Let Rev. 2013;2(21):1-12.
26. Pelinson F, Silva AL, Ribeiro RR. Usos dialetais, estereótipos e preconceito linguístico na telenovela "Flor do Caribe". Vozes & Diálogo. 2014;13(1):33-47.
27. Laperuta-Martins M. Preconceito linguístico e sua conscientização: o papel da escola. Textura. 2014;31:115-24.
28. Souza L, Wanderley TC, Ciscon-Evangelista MR, Bertollo-Nardi M, Bonomo M, Barbosa PVR. Representação social de capixaba: identidade em processo. Psicol Soc. 2012;24(2):462-71.
29. Carvalho EMS. Uma Abordagem Sociolinguística da Identidade Estrangeira. Plurais. 2010;1(3):26-36.
30. Shoemaker A. Regionalismo e identidade cultural: o inglês como língua internacional. Antares. 2011;5(1):20-37.
31. Carvalho FRP. Como falam os brasileiros? (resenha). Temática. 2014;10(1):256-9.
32. Santos AAL, Pereira EC, Marcolino J, Dassie-Leite AP. Autopercepção e qualidade vocal de estudantes de jornalismo. Rev CEFAC. 2014;16(2):566-72.
33. Silva EC, Penteado RZ. Caracterização das inovações do telejornalismo e a expressividade dos apresentadores. Audiol Commun Res. 2014;19(1):61-8.
34. Batista CLC, Figueiredo MAV. O local no nacional: um debate sobre os sotaques no telejornalismo de rede no Brasil. In: Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. XXXII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. 4-7 set 2009; Curitiba-PR. São Paulo: Intercom; 2009.
Submetido em:
11/07/2015
Aceito em:
15/09/2015


