Hearing risk in motorcycle taxi drivers of a Southern Brazilian city
Risco auditivo em mototaxistas de uma cidade do sul do Brasil
Juliana De Conto; Samyr Gerges; Cláudia Giglio de Oliveira Gonçalves
Abstract
Objective: to characterize the hearing profile of motorcycle taxi drivers and analyze the risk of their exposure to noise.
Methods: a cross-sectional study with 17 motorcycle taxi drivers of a city on the Southern coast of Brazil, in 2008. Noise was measured at workplace and during a standard route. The dose of exposure to noise was calculated, a questionnaire on the perception of auditory and extra-auditory effects was applied and an auditory hearing assessment through threshold tonal audiometry was performed.
Results: at workplace, noise was around 73dBA (decibels, A scale), and while commuting, noise was above 100% for a 12-hour working day. Strain and stress/fatigue after work were reported by 58.8% of the subjects and 52.9% of them showed hearing losses, five presenting characteristic noise-induced hearing losses (NIHL). However, the motorcycle taxi drivers did not associate the adverse health effects to the continuous exposure to noise.
Conclusion: the motorcycle taxi drivers presented hearing risk, 29% of them presenting hearing alterations with characteristics suggestive of noise-induced hearing loss, which makes the implementation of auditory conservation programs of extremely importance for this class of workers.
Keywords
Resumo
Objetivo: caracterizar o perfil auditivo de mototaxistas e analisar o risco de exposição ao ruído.
Métodos: estudo transversal com 17 mototaxistas de uma cidade do litoral sul do Brasil, em 2008. Foi realizada medição do ruído no posto de trabalho e em um trajeto padrão; cálculo da dose de exposição ao ruído, aplicação de questionário sobre a percepção quanto aos efeitos auditivos e extra-auditivos e avaliação auditiva por meio da audiometria tonal limiar.
Resultados: no posto de trabalho o ruído foi em torno de 73 dBA, e no trânsito foi superior a 100% para uma jornada de trabalho de 12 horas. Tensão e estresse/cansaço após o trabalho foram relatados por 58,8% dos sujeitos e 52,9% apresentavam perda auditiva, cinco com características de perda auditiva induzida por ruído (PAIR). Porém, os mototaxistas não associavam os efeitos adversos à saúde com a exposição contínua ao ruído.
Conclusão: os mototaxistas pesquisados apresentaram risco auditivo, sendo 29% com alterações auditivas com características sugestivas de perda auditiva induzida por ruído, o que torna a implementação de programas de conservação auditiva de extrema importância para esta classe de trabalhadores.
Palavras-chave
Referências
1. Almeida EG, Ferreira WR. Mototaxismo: a revolução na mobilidade urbana sobre duas rodas. Revista Gestão Acadêmica. 2014;1(2):65-83.
2. Fernandes YCF, Favaretto PE, Slaviero RS, Griep R. Acidentes de transporte terrestre envolvendo veículos automotores no estado do Paraná. Rev. Med. UFPR. 2016;3(3):114-21.
3. Soriano EP, Carvalho MVD, Montenegro JB, Campello RIC, Almeida AC, Lins Filho JDL. Violência no trânsito: uma década de vidas perdidas em acidentes motociclísticos no Brasil. Derecho y Cambio Social. 2013;10(31):1-12.
4. Andrade LM, Lima MA, Silva CHC, Caetano JA. Acidentes de motocicleta: características das vítimas e dos acidentes em hospital de Fortaleza–CE, Brasil. Rev.Rene. 2009;10(4):52-9.
5. Silva LA, Maia LG, Almeida LMWS, Dalri RCMB, Segura-Muñoz S, Rocha FLR et al. Exposição ao monóxido de carbono: carboxihemoglobina e sintomas relatados por trabalhadores mototaxistas. Journal Health NPEPS. 2017;2(1):218-29.
6. Oliveira RA, Silveira CA. Percepção de riscos e efeitos para a saúde ocupacional de motociclistas profissionais. Saúde. 2017;43(1):206-13.
7. Cogo LA, Fedosse E, Santos VAV. Quality of life and aspects of hearing of collective urban transport workers. Rev. CEFAC. 2016;18(1):40-6.
8. Teixeira JRB, Andrade SN, Sales ZN, Moreira RM, Oliveira Boery RNS, Boery EM et al. Utilização dos equipamentos de proteção individual por mototaxistas: percepção dos fatores de risco e associados. Cad. Saúde Publica. 2014;30(4):885-90.
9. Morata TC, Lacerda AB. Saúde Auditiva. In: Zeigelboim BS, Jurkiewicz AL (orgs). Multidisciplinaridade na Otoneurologia. São Paulo: Roca; 2013. p. 429-44.
10. BRASIL. Ministério do Trabalho. Norma Regulamentadora de Segurança e Saúde do Trabalho – NR 15. Atividades e Operações insalubres. Disponível em: http://portal.mte.gov.br/legislacao/norma-regulamentadora-n-15-1.htm. Acesso em: 18 de fevereiro de 2017.
11. de Paula GF, Camargo FC, Iwamoto HH. Condições de saúde e trabalho e exposição à violência no trânsito entre mototaxistas. Rev Enfermagem Atenção Saúde. 2016;4(2):79-92.
12. Conselho Federal de Fonoaudiologia. Resolução nº 365, de 30 de março de 2009. Dispõe sobre a calibração de audiômetros e dá outras providências. Disponível em: http://www.fonoaudiologia.org.br/cffa/. Acesso em: 18 de fevereiro de 2017.
13. Almeida GCMD, Medeiros FDCDD, Pinto LO, Moura JMBDO, Lima KC. Prevalence and factors associated with traffic accidents involving motorcycle taxis. Rev. Bras. Enferm. 2016;69(2):382-8.
14. Melnick W. Saúde auditiva do trabalhador. In: Katz J (org). Tratado de audiologia clínica. São Paulo: Manole; 1999. p. 529-47.
15. Veronese AM, Oliveira DLLC. Os riscos dos acidentes de trânsito na perspectiva dos moto–boys: subsídios para a promoção da saúde. Cad. Saúde Pública. 2006;22(12):2717-21.
16. Ansari H, Moghaddam AA, Mohammadli M. Status of hearing loss and its related factors among drivers in Zahedan, South-Eastern Iran. Global Journal of Health Science. 2016;8(8):66-73.
17. Mc Combe AW. Hearing loss in motorcyclists: occupational and medicolegal aspects. Journal of the Royal Society of Medicine. 2002;96(1):7-9.
18. Jordan CG, Hetherington O, Woodside A, Harvey H. Noise induced hearing loss in occupational motorcyclists. [Tese de doutorado] Ulster (N. Ireland): University of Ulster; 2004.
19. Mascarenhas MDM, Souto RMCV, Malta DC, Silva MAA, Lima CM, Montenegro MMS. Characteristics of motorcyclists involved in road traffic accidents attended at public urgent and emergency services. Ciênc. saúde coletiva. 2016;21(12):3661-7.
Submetido em:
28/06/2017
Aceito em:
23/11/2017


