Tipificação de sintomas relacionados à voz e sua produção em professores identificados com ausência de alteração vocal na avaliação fonoaudiológica
Typification of symptoms related to voice and its production in teachers identified with absence of vocal alteration in Speech-Language Pathology evaluation
Emilse Aparecida Merlin Servilha; Joyce Pena
Resumo
Objetivo: tipificar os sintomas relacionados à voz e sua produção auto referidos por professoras, cujas vozes foram identificadas como saudáveis na avaliação fonoaudiológica.
Métodos: participaram 36 docentes, idade média de 37 anos, solteiras (75%) e escolaridade superior (83,33%) da rede municipal de ensino de uma cidade do interior do estado de São Paulo. Os docentes responderam a um questionário e referiram a alteração, suas vozes foram gravadas e submetidas à avaliação fonoaudiológica perceptivo-auditiva e posteriormente comparados os dois tipos de avaliação. Procedeu-se a caracterização sócio demográfica, condições ambientais e organizacionais do trabalho dos docentes e seus sintomas tipificados e submetidos à análise estatística descritiva.
Resultados: constatou-se a presença de poeira (91,67%), ruído (75%) e excesso de trabalho (88,88%), falta de tempo para desenvolver as atividades na escola (88,88%) e fiscalização constante do desempenho (33,33%). Quanto à voz, a alteração foi percebida há mais de quatro anos (30,56%), secundária ao seu uso intensivo (94,44%) e ao estresse (61,11%), classificada como moderada (66,67%), sendo proeminentes como sintomas auditivos, a rouquidão e o cansaço ao falar, ambos com 69,44% e como sintomas proprioceptivos, o pigarro (63,88%) e a garganta seca (61,11%). A comparação entre os sintomas mostra que os proprioceptivos (63,26 %) foram mais mencionados do que os auditivos (36,73 %).
Conclusão: os professores trabalham em ambientes adversos à saúde e à voz; a prevalência de sintomas proprioceptivos foi maior que os auditivos, o que pode ter interferido na avaliação perceptual de suas vozes pelas fonoaudiólogas que contaram apenas com a pista auditiva.
Palavras-chave
Abstract
Purpose: to typify the symptoms related to voice and its production self-reported by teachers, whose voices were identified as healthy in the Speech-Language Pathology evaluation.
Methods: 36 teachers participated, mean age 37 years, single (75%) and higher education (83.33%) from the municipal teaching network of a city in the interior of the state of São Paulo. The teachers answered a questionnaire and reported the alteration, their voices were recorded and submitted to auditory-perceptual Speech-Language Pathology evaluation and later the two types of evaluation were compared. Sociodemographic characterization, environmental and organizational conditions of the teachers' work and their symptoms were typified and submitted to descriptive statistical analysis.
Results: it was verified the presence of dust (91.67%), noise (75%) and work overload (88.88%), lack of time to develop activities at school (88.88%) and constant performance monitoring (33.33%). As for voice, the alteration was perceived for more than four years (30.56%), secondary to its intensive use (94.44%) and stress (61.11%), classified as moderate (66.67%), with hoarseness and tiredness when speaking, both with 69.44%, as prominent auditory symptoms and, as proprioceptive symptoms, throat clearing (63.88%) and dry throat (61.11%). The comparison between symptoms shows that proprioceptive ones (63.26%) were mentioned more than auditory ones (36.73%).
Conclusion: teachers work in environments adverse to health and voice; the prevalence of proprioceptive symptoms was higher than auditory ones, which may have interfered in the perceptual evaluation of their voices by the Speech-Language Pathologists who relied only on the auditory cue.
Keywords
References
1. Rogerson J, Dodd B. Is there an effect of dysphonic teachers' voices on children's processing of spoken language? J Voice. 2005; 19(1):47-60.
2. Smolander S, Huttunen K. Voice problems experienced by Finnish comprehensive school teachers and realization of occupational health care. Logoped Phoniatr Vocol. 2006; 31(4):166-71.
3. Sao Paulo. Centro de Referencia em Saude do Trabalhador. Coordenadoria de Controle de Doencas (CEREST/CCD).Distribuios de voz relacionados ao trabalho. Bol Epidemiol Paul. 2006; 3(26):16-22.
4. Yiu EM. Impact and prevention of voice problems in the teaching profession: embracing the consumers' view. J Voice. 2002; 16(2):215-28.
5. Duffy OM, Hazlett DE. The impact of preventive voice care programs for training teachers: a longitudinal study. J Voice. 2004; 18(1):63-70.
6. Krischke S, Weigelt S, Hoppe U, Kollner V, Klotz M, Eysholdt U, et al. Quality of life in dysphonic patients. J Voice. 2005; 19(1):132-7.
7. Delcor NS, Araujo TM, Reis EJFB, Porto LA, Carvalho FM, Silva MO, et al. Condicoes de trabalho e saude dos professores da rede particular de ensino de Vitoria da Conquista, Bahia, Brasil. Cad Saude Publica. 2004; 20(1):187-96.
8. Silvany Neto AM, Araujo TM, Dultra FRD, Azi GR, Alves RL, Kavalkievick C, et al. Condicoes de trabalho e saude de professores da rede particular de ensino de Salvador, BA. Rev. Baiana Saude Publica. 2000; 24(1/2):42-56.
9. Gasparini SM, Barreto SM, Assuncao AA. Prevalencia de transtornos mentais comuns em professores da rede municipal de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. Cad Saude Publica. 2006; 22(12):2679-91.
10. Fuess VLR, Lorenz MC. Disfonia em professores do ensino municipal: prevalencia e fatores de risco. Rev Bras Otorrinolaringol. 2003; 69(6):807-12.
11. Munier C, Kinsella R. The prevalence and impact of voice problems in primary school teachers. Occup Med. 2008; 58(1):74-6.
12. Cooper M. Modernas tecnicas de reabilitacion vocal. Buenos Aires: Panamericana; 1973.
13. Jardim R. Voz, trabalho docente e qualidade de vida [dissertacao]. Belo Horizonte (MG): Universidade Federal de Minas Gerais; 2006.
14. Preciado J, Perez C, Calzada M, Preciado P. Frequencia y factores de riesgo de los trastornos de la voz en el personal docente de La Rioja. Estudio transversal de 527 docentes: cuestionario, examen de la funcion vocal, analisis acustico y videolaringoestroboscopia. Acta Otorrinolaringol Esp. 2005; 56(4):161-70.
15. Simões M, Latorre MRDO. Alteração vocal em professores: uma revisão. J Bras Fonoaudiol. 2002; 3(11):127-34.
16. Sliwinska-Kowalska M, Niebudek-Bogusz E, Fiszer M, Los-Spychalska T, Kotylo P, Sznurowska-Przygocka B, et al. The prevalence and risk factors for occupational voice disorders in teachers. Folia Phoniatr Logop. 2006; 58(2):85-101.
17. Tavares EL, Martins RH. Vocal evaluation in teachers with or without symptoms. J Voice. 2007; 21(4):407-14.
18. Bele IV. Reliability in perceptual analysis of voice quality. J Voice. 2005; 19(4):555-73.
19. Simões M, Latorre MRDO. Prevalência de alteração vocal em educadoras e sua relação com a auto-percepção. Rev Saúde Pública. 2006; 40(6):1013-8.
20. Ferreira LP, Giannini SPP, Figueira S, Silva EE, Karmann DF, Souza TMT. Condições de produção vocal de professores da Prefeitura do Município de São Paulo. Dist Comun. 2003; 14(2):275-307.
21. Behlau M, Damazio G, Feijó D, Pontes P. Avaliação de voz. In: Behlau M. Voz. O livro do Especialista. Vol. 1. Rio de Janeiro: Revinter; 2001. p. 85-180.
22. Penteado RZ, Bicudo-Perreira IMT. Avaliação do impacto da voz na qualidade de vida de professores. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2003; 8(2):19-28.
23. Thomas G, Kooijman PG, Cremers CW, de Jong FI. A comparative study of voice complains and risk factors for voice complaints in female student teachers and practicing teachers early in their career. Eur Arch Otorhinolaryngol. 2006; 263(4):370-80.
24. Petter V, Oliveira PAB, Fischer PD. Relación entre disfonía referida y potenciales factores de riesgo en el trabajo de profesores de la enseñanza fundamental, Porto Alegre – RS. Salud de los Trabajadores. 2006; 14(2):5-12.
25. Ortiz E, Alves Lima E, Costa E. Saúde vocal de professores da rede municipal de ensino de cidade do interior de São Paulo. Rev Bras Med Trab. 2004; 2(4):263-6.
26. Simberg S, Sala E, Vehmas K, Laine A. Changes in the prevalence of vocal symptoms among teachers during a twelve-year period. J Voice. 2005; 19(1):95-102.
27. Sapir S, Keidar A, Mathers-Schmidt B. Vocal attrition in teachers: survey findings. Eur J Disord Commun. 1993; 28(2):177-85.
28. Hamdan AL, Sibai AM, Srour ZM, Sabra OA, Deeb RA. Voice disorders in teachers: the role of family physicians. Saudi Med J. 2007; 28(3):422-8.
29. Gotaas C, Starr CD. Vocal fatigue among teachers. Folia Phoniatr. 1993; 45(3):120-9.
30. Chang A, Karnell MP. Perceived phonatory effort and phonation threshold pressure across a prolonged voice loading task: a study of vocal fatigue. J Voice. 2004; 18(4):453-66.
Submitted date:
08/01/2009
Accepted date:
12/17/2009
