Revista CEFAC
https://www.revistacefac.org.br/article/doi/10.1590/S1516-18462012005000039
Revista CEFAC
Original Articles

Prevalência de alterações de fala em crianças por meio de teste de rastreamento

Prevalence of speech disorders in children through screening test

Helena Jesini Meira Caldeira; Stéffany Lara Nunes Oliveira Antunes; Luiza Augusta Rosa Rossi-Barbosa; Daniel Antunes Freitas; Mirna Rossi Barbosa; Antônio Prates Caldeira

Downloads: 0
Views: 301

Resumo

Objetivo: conhecer a prevalência de alterações de fala em crianças que frequentam o 1º ano do ensino fundamental em escolas públicas de Montes Claros – MG no ano de 2010, por meio de teste de rastreamento, verificar os resultados da triagem com a variável sexo e conhecer os principais processos fonológicos presentes nas crianças pesquisadas.

Método: utilizou-se o Teste de Rastreamento de Distúrbios Articulatórios de Fala – TERDAF adaptado, um instrumento validado para este fim. Os alunos foram selecionados aleatoriamente para a aplicação do teste.

Resultados: foram avaliadas 404 crianças com média de idade de seis anos e cinco meses, 52,0% eram do sexo feminino. A prevalência de alterações de fala foi de 33,7%. Pode-se observar presença de ceceio em 8,4% das crianças. Dos 137 alunos com alguma alteração nos processos fonológicos, os mais utilizados foram: substituição de /ʎ/ por /i/ ou /y/, /l/ por /r/, /z/ por /s/ e omissão do /l/ e /r/. A chance de alterações de fala em crianças do sexo masculino foi 2,53 vezes àquela do sexo feminino. A média do tempo gasto durante o teste foi de um minuto e dezoito segundos.

Conclusão: a prevalência de crianças com alterações de fala está em acordo com outros estudos. Ações do profissional fonoaudiólogo em pareceria com educadores contribuem para facilitar a aprendizagem como medida preventiva.

Palavras-chave

Prevalência; Transtornos da Articulação; Programas de Rastreamento; Fonoaudiologia

Abstract

Purpose: to determine the prevalence of speech disorders in children attending the first grade of primary education in public schools in Montes Claros – MG in 2010, through a screening test, in order to check the screening results with the sex variable and on the main phonological processes exhibited by the surveyed children.

Method: we used an adopted validated instrument for this purpose (Screening Test for Speech Articulation Disorders).

Results: a total of 404 children with a mean age of six years and five months and 52,0% were female. The prevalence of phonological disorders was 33,7%. It was possible to observe the presence of lisp in 8.4% of children. Of the 137 students with any changes in the phonological processes, the most used were: replacement /ʎ/ with /i/ or /y/, /l/ a /r/, /z/ with /s/ and omission of /l/ and /r/. The chance of phonological disorder in male children is 2,53 times that in female child. The average time spent during the test was 1 minute and 18 seconds.

Conclusion: we found a high prevalence of phonological disorder demanding not only effective therapeutic intervention program, but also preventive measures. Prevalence of children with speech disorders is in agreement with other studies. Actions of the professional speech therapist in partnership with educators help to facilitate learning as a preventive measure.

Keywords

Prevalence; Articulation Disorders; Screening Programs; Speech, Language and Hearing Sciences

Referencias

1. Papis L, Assencio-Ferreira VJ. Consciência fonológica como meio de avaliação de crianças com dificuldades de aprendizagem escolar. Rev CEFAC. 2001; 3(2):117-21.

2. Wertzner HF, Pagan LO, Galea DES, Papp ACCS. Características fonológicas de crianças com transtorno fonológico com e sem histórico de otite média. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2007;12(1):41-7.

3. Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia – SBFA. Comitê de Motricidade Oral (MO) [Internet]. Documento Oficial 03/2003 [cited 2005 Dez 10]. Disponível em: http://www.sbfa.org.br

4. Santos GG, Melo PDF, Diniz JMG, Teixeira GPB. A importância do diagnóstico diferencial das alterações de fala: enfoque fonológico. J Bras Fonoaudiol. 2003;4(16):186-92.

5. Mota HB, Kaminski TI, Nepomuceno MRF, Athayde ML. Alterações no vocabulário expressivo de crianças com desvio fonológico. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2009;14(1):41-7.

6. Vieira MG, Mota HB, Keske-Soares M. Relação entre idade, grau de severidade do desvio fonológico e consciência fonológica. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2004;9(3):144-50.

7. Ingram D. Aspects of phonological acquisition. In: Ingram D. Phonological disability in children. London: Edward Arnold; 1976. p.10-49.

8. Yavas MS, Hernandorena CLM. Lamprecht RR. Avaliação fonológica da criança: reeducação e terapia, Porto Alegre: Artmed. 2002. p.90-117.

9. Brasil. Decreto nº 6.286, de 5 de dezembro de 2007. Institui o Programa Saúde na Escola -PSE, e dá outras providências.

10. Conselho Federal de Fonoaudiologia. Resolução CFFa nº 309, de 01 de abril de 2005. Dispõe sobre a atuação do Fonoaudiólogo na educação infantil, ensino fundamental, médio, especial e superior, e dá outras providências. Brasília, 1 abr. 2005.

11. Goulart BNG, Ferreira J. Teste de rastreamento de alterações de fala para crianças – Terdaf. Pró-Fono Rev Atual Cient. 2009;21(3):231-6.

12. Rossi-Barbosa LAR. Prevalência de Transtornos Fonológicos em Crianças do 1º Ano do Ensino Fundamental [dissertação]. Montes Claros (MG): Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES; 2010.

13. Cavalheiro LG. A prevalência do desvio fonológico em crianças de 4 a 6 anos de escolas públicas municipais de Salvador–BA. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2008;13(4):415.

14. Andrade CMF. Prevalência de desordens idiopáticas da fala e da linguagem em crianças de um a onze anos de idade. Rev. Saúde Pública. 1997; 31(5): 495-501.

15. Casarin MT. Estudos dos desvios de fala em pré-escolares de escolas públicas estaduais de Santa Maria-RS [Dissertação]. Santa Maria: Universidade Federal de Santa Maria; 2006.

16. Vitor RM, Cardoso-Martins C. Desenvolvimento fonológico de crianças pré-escolares da Região Noroeste de Belo Horizonte. Psicol rev. 2007;13(2):383-98.

17. Shriberg LD, Tomblin JB, Mcsweeny JL. Prevalence of speech delay in 6-year-old children and comorbidity with language impairment. J Speech Lang Hear Res. 1999;42(6):1461-81.

18. Matumoto S, Mishima SM, Pinto IC. Saúde coletiva: um desafio para a enfermagem. Cad Saude Publica. 2001;17(1):233-41.

19. Wertzner HF, Oliveira MMF. Semelhanças entre os Sujeitos com Distúrbio Fonológico. Pró-Fono R Atual Cien. 2002;14(2):143-52.

20. Matida AH, Camacho LAB. Pesquisa avaliativa e epidemiologia: movimentos e síntese no processo de avaliação de programas de saúde. Cad Saude Publica. 2004;20(1):37-47.

21. Patah KL, Takiuchi N. Prevalência das Alterações Fonológicas e Uso dos Processos Fonológicos em Escolares aos 7 Anos. Rev CEFAC. 2008;10(2):158-67.

22. Pereira MMB, Bianchini EBG, Carvalho GGT, Jardim ZMG. Investigação da ocorrência e caracterização de distorções do /s/ em crianças de 3 a 10 anos. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2003;8(1):10-7.

23. Barrera SD, Maluf MR. Variação lingüística e alfabetização: um estudo com crianças da primeira série do ensino fundamental. Psicologia Escolar e Educacional. 2004;8(1):35-46.

24. Nery A. O modo de falar do brasileiro. Pagina 3 Pedagogia & Comunicação. [periódico na Internet]. 2007 [acessado 2010 Ago 12]. Disponível em: http://educacao.uol.com.br/portugues/ult1693u60.jhtm.

25. Shriberg LD, Kwiatkowski J. Developmental phonological disorders: I. A clinical profile. J Speech Hear Res. 1994;37(5):1100-26.

26. Morales MV, Mota HB, Keske-Soares M. Consciência fonológica: desempenho de crianças com e sem desvios fonológicos evolutivos. Pró-Fono Rev Atual Cient. 2002;14(2):153-64.

27. Carvalho BS. Teste de figuras para discriminação fonêmica [dissertação]. Santa Maria (RS): Universidade Federal de Santa Maria – UFSM; 2007.

28. Rodrigues EJB. Discriminação auditiva – normas para avaliação de crianças de 5 a 9 anos. São Paulo: Cortez; 1981.

29. Lewis BA, Freebairn LA, Taylor HG. Academic outcomes in children with histories of speech sound disorders. J Commun Disor. 2000;33(1):11-30.

30. Ramos AS, Alves LM. A fonoaudiologia na relação entre escolas regulares de ensino fundamental e escolas de educação especial no processo de inclusão. Rev. Bras. Educ. Espec. 2008;14(2):235-50.


Submitted date:
09/05/2011

Accepted date:
18/10/2011

6a2effd8a95395267a4030aa cefac Articles
Links & Downloads

Revista CEFAC

Share this page
Page Sections